sábado, 20 de outubro de 2012

CONFLITOS NA SALA DE AULA

CONFLITOS NA SALA DE AULA


            É frequente nas salas de aula acontecer vários conflitos, geradores de brigas, desavenças, inimizades e agressões verbais ou físicas. Acontece porque reconhecêssemos que estamos falando de um espaço onde convivem muitos indivíduos e cada um com suas particularidades, crenças e gostos. É na sala de aula que produz esses encontros, da mesma forma acontece em empresas, escritórios, entre uma mesma categoria profissional e dentro de casa.

            Sem entrar no mérito da razão de um lado, da culpabilidade do outro. Sem querer discutir se os conflitos são influenciados pela cultura extramuros ou se os conflitos oriundos das salas de aulas são estopim para as desavenças futuras na sociedade. Precisamos, como cidadãos, reconhecer que nossa fragilidade está realmente aí: nas relações humanas. São essas questões que entravam projetos, que destroem sonhos, que emperram trabalhos, trazendo prejuízo a todos os envolvidos.

            Mas na sala de aula, sendo professor, como intervir da melhor forma e apagar a pequena chama acendida de um futuro incêndio?

            Em minha sala, por exemplo, procuro fazer a política contra fofoca. Sabemos que as crianças têm por hábito vigiar o comportamento dos colegas, por vários motivos. Creio que como sociedade, temos dado péssimos exemplos a elas. Então, quando uma criança se dirige a mim, como seu professor, para apontar alguma falha do colega, questiono-a se, antes de me informar, teria alertado o colega sobre as faltas. Sei que crianças dos primeiros anos do Ensino Fundamental terão mais dificuldades em compreender minhas intenções, no entanto, as crianças maiores já percebem que poderiam evitar o trabalho se alertassem o amigo ou se, ao menos, ignorassem o problema, caso não fossem atingidas diretamente. Até porque todo bom professor deve estar atento para todos os acontecimentos dentro de sua sala de aula, sendo assim, o aluno pode evitar aborrecimento, pois sabe que o professor já viu e terá que tomar atitude sobre o que viu.

            Você poderia estar questionando-me a respeito de minha atitude, mas creio que esses meus atos podem contribuir para que a criança pense em si e em sua relação com todos dentro da sala de aula. Inclusive comigo mesmo. Pois eu também não gostaria de que alunos meus procurassem fora da sala de aula a solução de um problema que eu causei. Por isso, mostro-me sempre disposto a rever até meu próprio comportamento com elas. E digo que, até hoje, tenho tido bons resultados.

            Mas se a criança ainda teima em delatar seus companheiros ao professor, ao “tio” e “tia” da creche ou, até mesmo, para os Inspetores de alunos? Para isso tenho o hábito de, antes do aluno denunciar e comentar o fato, chamar a outra parte envolvida para escutar o que se está falando dela. Assim poderei ouvir atentamente os dois lados da questão, perceber padrões de comportamento que me mostre a gravidade da situação. Só após isso, procuro tomar uma atitude, porque é algo que todas as crianças esperam do professor. E se não fizer, perderei mais pontos na minha relação com meus alunos.

            Quando o aluno infringe uma regra proposta no começo do ano e avaliada pelos próprios alunos, aproveito a oportunidade para abrir uma assembleia entre eles para pensar no caso, discutir até mesmo as medidas a serem tomadas, como anotar o nome da criança no diário do professor, receber uma advertência por escrito que será encaminhada ao conhecimento do diretor, perder o dia de ajudar o professor a apagar a lousa ou distribuir os trabalhos. Até mesmo ficar de fora dos pequenos prêmios oferecidos pelos trabalhos realizados.

Tento não perder a oportunidade de conversar com meus alunos sobre os nossos próprios comportamentos dentro da sala de aula. Discutimos e tentamos entender tudo que nos afeta e como responder a isso. Esse tipo de comportamento valoriza a afetividade escolar. Ou seja, acreditamos que o sistema afetivo dentro da sala de aula contribui para o sucesso ou não do processo ensino-aprendizagem.

            Certa vez, percebi que um garoto, nos seus 10 anos de idade, estava incomodando uma colega de sala, que tem a mesma idade. Muitas vezes a garota chorava, outras vezes buscava revidar os puxões de cabelos e beliscos. Já estava ficando impossível de controlar e, mesmo buscando apaziguar o conflito dos dois, sempre iniciavam a discussão na semana seguinte. Conversando com ambos, separadamente, percebi que o estopim foi o “namoro” da menina com outro colega, de sala diferente. Então percebi que já era algo além da minha sala. Nesses casos, a Gestão, os Coordenadores e toda a Comunidade escolar devem participar, buscando meios de mostrar aos adolescentes, que a maneira que escolheram para solucionar a contenda não era a mais adequada. Nesse momento, todos os profissionais de educação precisam estar preparados para contribuir para o crescimento dos alunos e não agravar mais a situação, correndo o risco de esse estopim estourar no lado de fora do muro, aumentando essa bola de neve que nem sabemos onde vai parar.

            Enfim, precisamos estar atentos para esses ínterins, pois a Educação também é responsável pela formação do caráter e da personalidade dos futuros cidadãos. Contribuindo com exemplos salutares poderemos mostrar aos nossos alunos que é possível resolver um conflito com uma boa conversa e acordos mútuos.

            Sei também que cada professor tem em sua prática modos diversos do meu para agir quando um conflito surgir em sala de aula, mas gosto sempre de frisar: O diálogo será sempre um bom negócio.

Espero que assim, no futuro, não tenhamos políticos agredindo e sendo agredidos por causa das diferenças de ideias, desejos e posições.

É isso.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

AFETIVIDADE ESCOLAR



“para aprender, é mais eficaz uma curiosidade espontânea do que um constrangimento ameaçador” – Santo Agostinho.

            Muitos filósofos e estudiosos (Santo Agostinho, Vigotski, Luria, Paulo Freire, Julio Groppa de Aquino, Miguel Gonzalez Arroyo, Telma Weisz, Sisto, entre outros) têm-se preocupado com a afetividade no processo ensino-aprendizagem. Na sala de aula encontramos reunidas pessoas de diferentes famílias, histórias e, até mesmo, culturas. E a relação entre elas, no ato educacional, provoca reações psicológicas diversas.
            Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia, escreveu:

“Nas minhas relações com os outros, quer não fizeram necessariamente as mesmas opções que fiz, no nível da política, da ética, da estética, da pedagogia, nem posso partir de que devo ‘conquistá-lo’, não importa a que custo, nem tampouco temo que pretendam ‘conquistar-me’. É no respeito às diferenças entre mim e eles ou elas, na coerência entre o que faço e o que digo, que me encontro com eles ou com elas. (FREIRE, 2002, p.152).

            Seguindo o pressuposto da singularidade em sala de aula, das especificidades de cada um, da heterogeneidade imanente, o educador deve levar em conta que seu trabalho educativo terá bons frutos, quando no planejamento e execução, levar em conta todos esses determinantes.
            O professor, como membro mais experiente dessa relação, deve considerar as circunstâncias que afetam seus alunos e a si mesmo. Entender o sistema afetivo na sala de aula contribui para desenvolver melhor suas aulas, alcançando satisfatoriamente os objetivos propostos.
            Arroyo (2005) discutiu bem o hábito positivista de muitos professores em desconsiderar o lado emotivo e afetivo na educação, pois:
O cognitivismo e cientificismo tão dominantes nas últimas décadas nos currículos, na avaliação, nas didáticas de ensino e na formação dos licenciados criaram na cultura docente a ilusão de que era possível trabalhar mentes incorpóreas solidárias, pairando no vazio biológico e material, social e cultural (Arroyo, 2005, p. 131)         

            A autoestima dos alunos e do professor interfere no processo educativo. Um aluno que crê não ser capaz terá mais dificuldades em aprender do que aquele que gosta e sente-se confiante. Desse modo, desconsiderar os sentidos e significados que o aluno atribui ao objeto de ensino-aprendizagem torna-se um grave erro. De acordo com Weisz:

“Se o professor não sabe nada sobre o que o aluno pensa a respeito do conteúdo que quer que ele aprenda o ensino que oferece não tem ‘com o que dialogar’. Restará a ele atuar como numa brincadeira de cabra-cega, tateando e fazendo sua parte, na esperança de que o outro faça a dele: aprenda (Weisz, 2001, p.42)

            O mesmo ocorre com o professor quando sente insegurança demais para ministrar o curso. Suas concepções sobre metodologia de ensino, sobre sua própria imagem e função contribuem para um bom ou péssimo desenvolvimento da atividade educativa.
            Para evitar tal situação o planejamento docente, acompanhado de estudos constantes, é essencial. Somado a isso, a sensibilidade e a motivação do professor para com o aluno ajuda a transpor barreiras no aprendizado.
            O professor como mediador experiente da relação educacional tem que propor meios para a valorização de todos os membros, independente de suas origens, preferências ou histórico escolar. Do mesmo modo o próprio professor precisa estabelecer base para sua própria valorização e respeito pelos alunos.
            É óbvio que o sistema afetivo não é tão simples assim, como foi descrito acima, pois há outros fatores envolvidos que ultrapassam a sala de aula e atingem além muros das escolas.
            Penso ser uma cadeia de relações que envolve toda comunidade escolar, representantes governamentais e instituições. Mas não é por esse fato que a relação afetiva será prejudicada na sala de aula.
            Assumir compromisso como educador é estar ciente da especificidade do ato educativo. Esse diz respeito à luta pela valorização e desenvolvimento da comunidade humana.


REFERÊNCIAS
AQUINO, J. G. Confrontos na Sala de Aula: uma leitura institucional da relação professor-aluno. São Paulo: Summus, 1996.

ARROYO, M. G. Imagens Quebradas: trajetórias e tempos de alunos e mestres. 2.Ed. Petrópolis: Vozes, 2005.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

MARTINS, L. M. A formação social da personalidade do professor: um enfoque vigotskiano. Campinas: Autores Associados, 2007

SISTO, F. F; MARTINELLI, S. C (orgs). Afetividade e dificuldade de aprendizagem: uma abordagem psicopedagógica. São Paulo: Vetor, 2006.

WEISZ T. E SANCHES A. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo. Ática, 2001

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

LER PARA ESCREVER

LER PARA ESCREVER
DIR/valdirfilosofia@hotmail.com
            Aproximando-se da época dos concursos e vestibulares ouço, constantemente, queixas de alunos sobre produção de texto. A bendita redação. Isso é todo ano!
            Já falei muito sobre leitura de textos em artigos meus:
            Vou discorrer um pouco mais sobre o assunto, já que muitas pessoas me procuram pedindo apoio. Apesar do chavão, não posso deixar de citar: Para escrever é preciso ler. Percebo que muitos acreditam ainda que escrever é questão de dom. Pensamento equivocado. É necessário muito trabalho. E um trabalho fundamental é a leitura. Escreve melhor quem lê melhor.
SELEÇÃO DE LEITURA
            Algumas questões de método precisam ser indicadas. A seleção do tipo de leitura a ser feito é primordial. Afinal, com o excesso de textos a disposição, torna-se importante selecionar textos a serem lidos de acordo com o objetivo do leitor
QUERO PRESTAR VESTIBULAR
            Para os vestibulandos e “concurseiros”, direcionar a leitura é o primeiro passo. Além dos conteúdos habituais, escolher textos argumentativos e expositivos permite ao candidato entrar em contato com mecanismos de produção textual.
            Editoriais, artigos de opinião encontrados em jornais ou revistas são ideais para quem quer participar das discussões atuais, conhecer posicionamentos e argumentos, refletir sobre exemplos elucidados etc.
            Como não podemos escrever algo do nada, essas leituras tornarão base para nossas futuras produções.
AOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
            Após o ingresso nas faculdades, os alunos encontram muitas dificuldades em produzir textos. Isso se dá, também, pela leitura incipiente de temas mais específicos. Organizar leituras de acordo com a temática em que está estudando, com as disciplina da grade do curso, ajudará nas posteriores defesas de posições e argumentações.
NÃO ADIANTA SÓ LER
            Ao ler, é importante verificar como os escritores escreveram. Como estruturam seus textos. Onde colocam suas introduções e ideias principais, onde e como defendem seus posicionamentos. Como utilizam de exemplos e de contra-argumentos.
            Com esses modelos você já pode ensaiar seus primeiros textos. Logo terá condição de produzir seu próprio estilo.
NA NATUREZA TUDO SE COPIA...
            Outro clichê conhecido. Mas em questão de produção intelectual devemos ter cautela.
            Usar métodos já consagrados para aprender a escrever é uma boa escola. Só que na hora de apresentar um trabalho seu, acadêmico e outros, cuidado para não copiar pensamentos e ideias de outros escritores.
            O máximo permitido é seguir o estilo, mas suas ideias devem ser originais.
É isso!

sábado, 22 de setembro de 2012

Avaliações

DIR/valdirfilosofia@hotmail.com
         Muitas pessoas, na época escolar, já temeram o termo “avaliação” e até ficaram doentes na véspera da prova. E isso não é por acaso, já que esse instrumento educacional tem sido aplicado de forma punitiva, em vez de formativa.
         Punitiva porque os alunos que não iam bem nas provas eram taxados de preguiçosos, indisciplinados e, até mesmo, burros. Antes das mudanças trazidas pelo “Programa Progressão Continuada” (não vou entrar no mérito da questão) e da “Recuperação Paralela” os repetentes eram até mesmo segregados às salas dos mais fracos. Geralmente em salas que correspondiam as letras D, E, F.
         Essa cultura autoritária e repressiva, apesar dos avanços dos estudos acadêmicos, ainda está presente na maioria das escolas.

FORA DO MURO DA ESCOLA
        
O medo da avaliação não ficou só dentro das escolas. Depois de formar uma cultura autoritária e repressiva em milhares de mentes, disseminou-se por toda sociedade.
         Trabalhando em uma fábrica, o operário já estará ciente que será avaliado por um superior, constantemente.
         E muitas vezes quando surpreendido por um erro, até mesmo intencional, torna-se alvo de recriminações e ameaças. Sujeito a assinar advertência, que, por sua vez, será motivo para o trabalhador não participar da progressão salarial.
         Numa loja de departamento, outro exemplo, sempre há quem esteja de olho na falha do outro. Não para socorrer e corrigir, mas para surpreender e punir. Assim, tem condições de subir (seja lá pra onde) no emprego.

E O TIRO SAI PELA CULATRA
         Se a intenção de uma avaliação dessa era reformar o comportamento da vendedora, do empregado ou do aluno, para que desenvolvam um trabalho melhor, na verdade produz baixa autoestima, aversão contra o avaliador e contra a instituição ou empresa, desprazer em realizar as atividades, diminuição da autoconfiança, inimizade. E daqui em diante inúmeras situações negativas.
         Um péssimo sinal para uma empresa, porque esse estado de coisa é contagioso. A qualidade da produção cai, a relação humana fica insustentável e, logo, corre o risco de demissões ou greves.
         Para a escola, o mesmo estado negativo provoca desmotivação nos alunos, falta de autoconfiança no processo de ensino-aprendizagem. Os alunos começam a manifestar irritabilidade e desprazer com as atividades pedagógicas e com a escola.

DAS AVALIAÇÕES FORMATIVAS
         Todas as avaliações deveriam ser formativas e diagnósticas. Isso significa que o momento avaliativo serve para identificar dificuldades, buscar soluções. Encontrar aprendizado e competência dos alunos e planejar ações diante resultados obtidos.
         Se por acaso um aluno não consegue fazer operações multiplicativas, com a avaliação o professor deverá ser capaz de planejar meios para efetivar o aprendizado da criança.
         Numa fábrica, o supervisor deverá usar as avaliações rotineiras para identificar pontos problemáticos e propor soluções para eles. Culpabilizar nunca solucionou problemas de produção. No entanto, uma equipe motivada, organizada e coesa, com um supervisor capaz de comunicação e relação afetiva pode, juntos, buscar soluções e aumentar a eficiência.
         Já um professor capaz de usar a avaliação formativa e diagnóstica terá condição de entender seus alunos, se aproximar deles e ajudá-los o quanto for necessário. Aumenta, assim, a confiança que o aluno tem pelo professor. E também a admiração e respeito.

SARESP/PROVA BRASIL/ENEM
         Já ouvi muitos professores preocupados com as pontuações que a escola recebe no SARESP ou na PROVA BRASIL como se estivessem numa competição entre escolas.
         Muitas vezes os dados dessas provas não são trabalhados com os professores para adequar planejamento escolar e o Projeto Político-Pedagógico. Conheço, até, escolas que não têm um Projeto Político-Pedagógico.
         Pode até ser que essas provas sejam classificatórias, como o ENEM, para que o candidato alcance uma vaga desejada. Mas o SARESP, a PROVA BRASIL e, até mesmo, o ENEM trazem dados ótimos para nossa autoavaliação. Com esses dados podemos identificar nossas dificuldades e buscar meios de solucionar. Não para ganhar uma competição que não existe. Mas para ser cada dia melhor do que antes.

A RELAÇÃO HUMANA NA ESCOLA
         Paulo Freire muitas vezes em seus textos denunciou as instituições escolares tradicionais e repressoras, de uma educação bancária, pautada numa relação hierárquica e autoritária.
         Num exemplo bem simples, o diretor é intransigente com o professor. O professor é rude com o aluno. E em quem os alunos irão descontar? No cachorrinho?
         Há climas de medo entre funcionários e vendedores com supervisores que muitas vezes usam seus cargos para oprimir e até tirar vantagem de seus trabalhadores.
         Na escola, educadores acabam retraídos com uma gestão repressora. E muitas vezes a gestão utiliza de avaliações tendenciosas para punir funcionário que não se enquadram com os princípios da direção.

AUTORIDADE NÃO É AUTORITARISMO
         Muitas pessoas, principalmente educadores, confundem AUTORIDADE com AUTORITARISMO. E acredito que essa confusão é base dos principais problemas presente nas relações humanas e educacionais.
         Enquanto AUTORITARISMO é uma força violenta de alguém para subjugar outra pessoa, AUTORIDADE é o poder dado a alguém, pelos seus companheiros, por causa do conhecimento e competência demonstrados.
         Exemplificando: Na escola, o professor só tem autoridade sobre os alunos, se os alunos reconhecerem que o professor tem conhecimento e competência para fazer o que se pretende.
         Já o professor é autoritário, pois precisa impor uma força de coerção sobre os alunos. Os alunos, como percebem a incapacidade do professor, não concedem a autoridade.
         O mesmo acontece com o Prefeito e os vereadores eleitos. O poder que eles têm não é propriamente deles, mas concedidos pelas pessoas que reconhecem o conhecimento e a competência dos representantes.
         É isso!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ESTUDAR II - Leitura profunda

Texto originalmente publicado em 3 de setembro, no JORNAL DA CIDADE

DIR/ valdirfilosofia@hotmail.com        
         Na coluna DIR COM EDUCAÇÃO começamos a falar sobre leitura. Indiquei a importância da leitura para a escrita. Em qualquer situação devemos ser bons leitores, isso Paulo Freire já dizia. Falamos de leitura superficial, que é o primeiro contato da pessoa com um texto. Aqui já podemos identificar assunto e posicionamento do autor. Extensão e termos difíceis do texto. Tudo isso nós dirá se temos coragem, motivação e vontade de entender profundamente o texto. Se não passamos nesse teste, então não vale a pena. Já aconteceu isso comigo várias vezes. Muitos textos deixei para ler depois por causa disso. Eu acredito muito que um texto, para uma determinada pessoa, deve ter um tempo certo de maturação para ser lido por essa pessoa. Quando tentei ler Dom Quixote, com 10 anos, aprendi essa grande regra. Aos 15 anos, entendi Dom Quixote. Aos 28 comecei a enxergar coisas novas. E, apesar do texto ser antigo, aos 32 estou descobrindo novidades em Dom Quixote. Esperem, pois falarei mais sobre esse fabuloso livro em outra oportunidade.
LEITURA PROFUNDA
         Com a leitura profunda entramos literalmente ao fundo da mensagem escrita ali. Para isso é necessário mais paciência. Lido o texto pela primeira vez, você deve ter encontrado palavras que não entendeu. Agora é hora de buscar dicionário, livros, enciclopédias, internet e ou a ajuda de alguém mais experiente.
         O importante na leitura é que não fique dúvida sobre o significado básico do termo. Digo significado básico porque pode ser que um termo antigo pode ter mudado de significado agora. Por isso tem que tomar cuidado.
Por exemplo
“-Olha, aquele é mecânico nos estaleiros, mas faz uns "biscates" de eletricidade por fora!”
Nesse exemplo, o termo “biscate” não tem o significado usado por muitos grupos sociais da atualidade. Esses grupos referem-se a mulheres vulgares de biscates. Mas em Portugal, como no exemplo, significa um trabalho extra.
         Percebem a importância do significado. Se não tiver essa malícia achará que o “mecânico” do exemplo anterior é alguém vulgar. E pelo contrário, é um trabalhador exemplar.
         Não deixe os significados controlar você. Por isso, duvide sempre. Quando você encontrar algo estranho no texto que está lendo, procure um dicionário, uma enciclopédia, a internet ou até um amigo mais experiente. Sempre duvide. Sempre pesquise. Busque sempre significados mais apropriados.
         Tudo isso não garante que consiga encontrar a resposta certa para tudo. Infelizmente só o tempo vai poder dizer se estamos certos ou não. Então paciência meu caro. E muita comunicação. Procure pessoas que já leram o texto que você está lendo. Pergunte sobre o entendimento dela. Seja curioso. Não se contente com nada. Essa é a primeira atitude de um bom intelectual. Se seguir esses passos, será melhor em tudo que propuser a fazer.
         Por quê? Oras bolas. O mundo contemporâneo (dos negócios, da administração, da educação, das empresas, do dinheiro, de tudo) está à procura de pessoas que têm habilidades de buscar soluções, de procurar respostas, de inovar, de criar e ter criatividade por demais. Nós professores não estamos mais ensinando os alunos a lerem, mas sim a aprenderem a encontrar diversas formas de leituras. O mundo mudou. Se você estagnou, cuidado. Não é um bom sinal para você.
ALÉM DAS PALAVRAS
         Após analisar os significados das palavras, uma boa dica é tentar entender o posicionamento do autor sobre o tema proposto. Você verificou na leitura superficial o tema proposto (e talvez até escreveu algo que você acredita sobre o tema). Agora é hora de colar suas concepções, crenças e conhecimentos a prova. Siga um roteiro básico abaixo:
·                    Você concorda com o autor? Por quê?
·                    Qual é seu posicionamento? Por quê?
·                    Se você não concorda, qual argumento você usaria para derrubar o argumento do autor?
·                    Se você concorda, qual argumento você usaria para auxiliar o argumento do autor?
·                    Quais as fontes de leituras que você poderia usar para apoiar seu argumento?
FONTES
A respeito das fontes, teremos outras oportunidades para falar somente sobre elas, mas esteja esperto. Anote sempre de onde você tirou a sua leitura. Se for da internet, anote o endereço, com a data do acesso. Como por exemplo:
Acesso em 03/09/2012
Se for um livro, escreva o nome do livro, do autor, da editora, do ano de publicação e da página onde tirou a citação. Logo, nessa coluna, você perceberá como são importantes todas essas informações.
EM BREVE
Você deve ter percebido que há muitas outras dicas de leitura profunda e procedimentos que podemos discutir aqui. Talvez não consigamos discutir todas, no entanto, essas habilidades apresentadas são fundamentais para separar você de um candidato não preparado para qualquer concurso. Vamos continuar falando disso. Até porque tudo isso tem relação com a educação
MEU MEDO
Ainda, como professor, continuo com medo da BANALIZAÇÃO. Cada vez que o ano passa, vejo que a sociedade não se importa mais com a profundidade das questões. Não param para pensar, não param para ler, não param para questionar. Eu tenho medo, porque estou me tornando um rebelde social. Rebelde social é todo aquele que não aceita o estado atual da sociedade. Aquele que nada contra maré. Mas se for para viver assim, em vez de aceitar as coisas passivamente, prefiro ser um peixe vermelho nadando à esquerda, do que peixes azuis, como todos, indo ao contrário.
É isso!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ESTUDAR I

Dir – valdirfilosofia@hotmail.com



NOS ÚLTIMOS ARTIGOS


Olá. Durante esse tempo na coluna DIR COM EDUCAÇÃO, conversamos sobre alguns temas educacionais como diferença entre Educador e Professor, a não unanimidade dos posicionamentos educacionais, a educação na creche entre outros.

Hoje quero direcionar nossa reflexão aos que têm dificuldades com leitura e escrita e precisam dessa habilidade para prestar concursos e vestibulares. Como já disse outra vez, essas habilidades são necessárias, mas não somente para os vestibulares ou concurso. Em todas as relações sociais que estabelecemos necessitam dessas habilidades. Por isso, convido para participar dessa trilha.

 

LER PARA ESCREVER

Já não é novidade para muita gente que para escrever um bom texto é preciso uma pitada, até generosa, de boas leituras. Até porque não se escreve aquilo que não se sabe ou não tem informações. Não se cria do nada.

Mais importante ainda, para quem vai prestar vestibular ou concursos, é também ter senso crítico. E o que seria isso?

Senso crítico é a atitude humana de conseguir compreender, ao analisar, e produzir opinião sobre uma matéria, sobre um texto, sobre uma leitura.

Alguns pesquisadores têm dividido o processo de leitura em duas etapas. Leitura Superficial e Profunda.

 

LEITURA SUPERFICIAL

A leitura superficial é aquela primeira leitura que você faz de um texto, conhecendo primeiramente o assunto e o posicionamento do autor, percebendo os exemplos e os argumentos usados. Medindo a extensão do texto, a facilidade ou dificuldade, identificando termos desconhecidos etc.

Eu em minha prática leitora costumo fazer duas Leituras superficiais de textos acadêmicos (filosóficos e científicos), literário não contemporâneo e uma leitura superficial de textos jornalísticos, crônicas e textos literários contemporâneos, por exemplo.

Ao identificar o assunto escrevo num papel à parte.

Por exemplo:

"Assunto do artigo do Dir: Níveis de Leitura”.

Cuidado. Há textos que você poderá encontrar mais de um assunto. Isso fica para outro momento, ok?

Ao identificar o assunto, posso já entender qual o posicionamento do autor, o que indica. Se você se sentir motivado a escrever, produza algumas linhas sobre o que você sabe do tema. Se o assunto é sobre futebol, descreva o time que você gosta, o que você critica a respeito das regras ou posicionamentos de alguns profissionais. Já é um bom exercício, não acha?

O importante também nessa leitura é identificar palavras desconhecidas. Em um papel escreva as palavras que você precisa procurar no dicionário ou pesquisar sobre ela em outros livros.


Por exemplo:

Posicionamento (5º parágrafo, segunda linha) –

Quando o livro é meu, eu tenho hábito de sublinhar em vermelho para depois, na leitura profunda, buscar o significado.

A respeito da extensão do texto, se esse for muito grande, você poderá se preparar para uma leitura profunda dividindo os textos em partes menores para tentar compreendê-lo. Pode usar os capítulos ou parágrafos presentes no texto ou fazer sua própria divisão. Assim terá condições de, na Leitura Profunda, não tornar sua análise tão complexa a ponto de se perder em sua leitura.


NO PRÓXIMO ARTIGO

Falaremos sobre Leitura Profunda e algumas dicas para interpretação e análise crítica. Até parece um trabalho muito árduo a leitura, não acha? Mas não é bem assim, quando pegar hábito, experiência, todos esses passos serão tão naturais que você nem perceberá. A tendência é o desaparecimento da fadiga e o aparecimento do prazer em ler. Se você tiver coragem de enfrentar os primeiros obstáculos, verá que depois, com o tempo, as leituras tendem ser mais fáceis.

É isso.

domingo, 5 de agosto de 2012

SER EDUCADO É DIZER O QUE SE DEVE DIZER


SER EDUCADO É DIZER O QUE SE DEVE DIZER – primeiro ato de revolta
DIR/ valdirfilosofia@hotmail.com
NO ARTIGO ANTERIOR

No artigo anterior permitimo-nos a refletir que:
  1. O Pensamento Educacional não é unanimidade.
  2. Ser Educador pressupõe algo além de ser professor.
  3. É problemático ser “Tia” em creche quando a comunidade em seu entorno não reconhece o trabalho educativo das “Tias” da Creche.
  4. Os pais têm por obrigação de participar do processo formativo e educativo dos filhos, direito desses.

E POR FALAR EM DIREITO

Na Constituição Federal de 1988, a Carta vigente, em seu artigo 5º diz serem todos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Eis o princípio da isonomia.
Há exemplos ótimos para refletir. 
1. Se eu chego atrasado para realizar o vestibular e sou impedido de entrar, por que o outro , na mesma situação, pode entrar?
2. Se chego atrasado para realizar o vestibular, por que posso entrar, mesmo sabendo das regras e quem está lá se esforçou por chegar na hora?
3. Por que o juiz pode aceitar minha inscrição se eu não a fiz no tempo certo enquanto de outros ele não aceita?

Vocês já ouviram esse negócio de um peso e duas medidas? Pois é, existe muito isso ainda em nossa sociedade brasileira. Há muitos brasileiros e autoridades brasileiras desrespeitando esse artigo da constituição.
 Agora eu pergunto:
Quem desobedece à lei não deve ser preso? Ou receber punição?
Oras bolas, 
1. Se uma criança tem direito a vaga em creche, por que a minha não tem? De quem é a responsabilidade nesse caso? Quem está desobedecendo a lei?

Cabe a todos nós prezarmos pela observância das leis, principalmente a que está transcrita no artigo 5º da Constituição Federal de 1988. Pedir punição a quem deve, compreender quando não podemos assumir um direito quando desrespeitamos suas regras. Conhecer e aplicar isso é ser educado. Isso é Educação.

O PRINCÍPIO DA ISONOMIA
Mas se diz que o PRINCÍPIO DA ISONOMIA rege a lei para os iguais, será que em nossa sociedade somos todos iguais? Bem, na lei, sugere-se que todos os brasileiros e estrangeiros residentes no país são iguais perante a lei, na sociedade, NA PRÁTICA, parece que as coisas não são bem assim.
É que alguns acreditam ter mais direito do que outros porque reconhecem que não são iguais a outro:
  1. O professor reconhece que não é igual ao aluno (E se acha superior)
  2. O diretor reconhece que não é igual ao professor (E se vê superior)
  3. O secretário de educação reconhece que não é igual ao diretor (E se proclama superior)
  4. O prefeito reconhece que não é igual ao secretário de educação (E executa-se como superior)

E nessa dança das cadeiras todos se esquecem de despir dos títulos e lembrar a condição de igualdade proposta na lei. Somos iguais na lei e na sociedade (devia ser) porque somos seres humanos e participantes igualmente da elaboração da mesma lei.

SE LEMBRARMOS DE CRISTO

“Se alguém quer ser o primeiro, seja o último e o servo de todos”. (Mc 9, 30-37)
Poderemos pensar diferente e, a meu ver, da forma mais correta.
  1. O prefeito serve o secretário, pois foi o secretário quem votou nele. (nós também.).
  2. O secretário serve ao diretor, porque o diretor é quem mantém a obrigação do secretário em ordem (nós também).
  3. O diretor serve ao professor, porque é o professor quem executa o que o diretor espera (nós também).
  4. O professor serve aos alunos, porque sem esses últimos não existia professor.

Essa relação dá pra fazer com pais e filhos, patrão e empregado, marido e esposa e quantas relações você, querido leitor, possa querer fazer.

REVOLTA
Caro leitor, pode perceber em minha escrita hoje a revolta que desfila em minhas palavras, nas entrelinhas e nos não-ditos. Minha revolta é ver como a injustiça impera nas relações humanas contemporâneas. E isso pra mim não é educação.
É isso.




Referências
Canto da Paz.
Princípio da Isonomia
Constituição da República
Entre Educador e Professor
RECANTO DAS LETRAS